Estratégias para melhorar a qualidade dos óvulos antes do congelamento
Postado em: 20/05/2025
Se você decidiu pelo Congelamento de Óvulos, saiba que esse é um passo importante na preservação da fertilidade e oferece mais liberdade para planejar o seu futuro reprodutivo com tranquilidade e autonomia.

É comum ouvir no consultório a pergunta: é possível melhorar a qualidade dos óvulos antes da coleta? Embora idade e genética tenham grande influência, alguns hábitos e cuidados podem favorecer a saúde dos óvulos e otimizar os resultados do procedimento.
Neste artigo, vou compartilhar o que a ciência revela sobre o tema e quais mudanças no estilo de vida podem preparar melhor o seu corpo para o congelamento de óvulos.
Se você está prestes a iniciar esse processo ou apenas avaliando essa possibilidade, continue a leitura e veja como pequenas ações podem fazer diferença na sua jornada reprodutiva.
O que é qualidade do óvulo?
Ao considerar o congelamento de óvulos, é comum surgir a dúvida: o que significa “qualidade do óvulo”? Esse termo se refere à capacidade do óvulo de ser fertilizado e resultar em uma gestação. Isso depende, principalmente, de ele ser geneticamente normal e capaz de formar um embrião viável.
Com o avanço da idade, essa qualidade tende a diminuir. Segundo o Colégio Americano de Obstetras e Ginecologistas (ACOG), a fertilidade feminina começa a cair por volta dos 32 anos, com queda maior após os 37, devido ao aumento das alterações genéticas nos óvulos.
Por isso, o congelamento de óvulos costuma ser mais indicado entre os 20 e 30 anos, quando há maior chance de preservar óvulos saudáveis.
Falar sobre qualidade dos óvulos é uma maneira de oferecer orientação clara e baseada em evidências, ajudando você a planejar a gestação com mais segurança. E sim, existem formas de cuidar melhor dessa qualidade — e é sobre isso que explico a seguir.
5 dicas para melhorar a qualidade dos óvulos antes do congelamento
Se você está se preparando para o congelamento de óvulos, saiba que alguns hábitos podem contribuir para preservar a qualidade dessas células e potencializar os resultados do tratamento.
A seguir, compartilho cinco orientações que costumo passar às minhas pacientes para favorecer a saúde dos óvulos antes da coleta:
1. Pare de fumar
O cigarro tem efeitos nocivos comprovados sobre a fertilidade. Ele interfere na função hormonal, na ovulação, no útero, além de causar danos ao material genético dos óvulos.
Estudos mostram que o tabagismo pode aumentar em até 60% o risco de infertilidade.
Parar de fumar é uma das medidas mais importantes para quem deseja preservar a saúde reprodutiva.
2. Cuide da alimentação
Uma alimentação equilibrada tem impacto direto na qualidade dos óvulos. Dietas ricas em antioxidantes, vitaminas e minerais ajudam a combater o estresse oxidativo, um dos principais fatores que comprometem as células reprodutivas.
Inclua no seu dia a dia alimentos como:
- Peixes ricos em ômega-3 (salmão e sardinha).
- Gema de ovo (fonte de vitamina D).
- Frutas cítricas, aveia e leguminosas (ricos em inositol).
- Verduras e legumes coloridos (antioxidantes naturais).
- Sementes, grãos e carnes magras (fonte de zinco).
Para melhores resultados, recomendo acompanhamento com nutricionista, que poderá montar um plano alimentar personalizado.
3. Avalie a necessidade de suplementação
Algumas vitaminas e minerais são essenciais para o desenvolvimento adequado dos óvulos, como ácido fólico (folato), vitaminas do complexo B, vitamina D e zinco.
Durante a consulta, costumo avaliar exames laboratoriais e hábitos alimentares antes de indicar qualquer suplementação. A automedicação não é recomendada, já que o excesso de micronutrientes também pode causar desequilíbrios metabólicos.
4. Mantenha o peso dentro da faixa saudável
Tanto o baixo peso quanto o sobrepeso podem impactar negativamente a ovulação e a qualidade dos óvulos.
A obesidade, por exemplo, está relacionada à disfunção hormonal e à menor resposta ovariana aos estímulos. Já o peso corporal muito baixo pode levar à ausência de ovulação (anovulação).
Se necessário, podemos montar um plano individualizado com o apoio de um nutricionista, priorizando mudanças graduais e sustentáveis, sem dietas restritivas ou pressões desnecessárias.
5. Gerencie o estresse e priorize o sono de qualidade
O estresse crônico e a privação de sono podem comprometer o equilíbrio hormonal e, consequentemente, a fertilidade.
Altos níveis de cortisol — o hormônio do estresse — interferem na produção hormonal ovariana, enquanto a falta de sono adequado pode afetar a regulação hormonal e a qualidade dos óvulos.
Para equilibrar o sistema hormonal, invista em práticas como:
- Meditação.
- Ioga.
- Técnicas de respiração.
- Atividades relaxantes e autocuidado.
Dormir entre 7 e 9 horas por noite é fundamental para o equilíbrio hormonal e a saúde dos óvulos. Estabelecer uma rotina regular de sono e criar um ambiente tranquilo — com pouca luz, temperatura agradável e livre de ruídos — contribui para um descanso reparador.
Planeje sua fertilidade com segurança e autonomia
Se você está considerando o congelamento de óvulos ou deseja entender melhor como cuidar da sua fertilidade, saiba que uma avaliação personalizada pode fazer toda a diferença.
Agende uma consulta comigo para tirar suas dúvidas, avaliar sua reserva ovariana e conhecer as estratégias mais adequadas para o seu caso. Estou aqui para te orientar com clareza, acolhimento e embasamento científico.
Dra. Larissa Daun
Ginecologista Obstetra, Especialista em Reprodução Humana
CRM-SP: 129292
RQE: 90257 – Ginecologia e Obstetrícia
Leia também:
